Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

Questões e o canto do wallpaper!

No preciso momento, a mão afasta-se, no seguimento do segredo psicossomático que corre nas veias. De tudo o que era possível, o real afastou-se infinitamente da crença, numa cegueira mais que habitual quando de sangue quente se fala. A mesma mão percorre a parede e, num gesto flagrante, encontra o local onde a luz brinca com o branco da parede, conjugando-se inesperadamente um tom brilhante que corresponde à existência prévia de toque por ali. Depois de os olhos e a mão lhe pertencerem, do início ao fim, os olhos caminham sobre aquelas superfície a baixa altitude e vasculham nela as tremendas horas repletas de insegurança, de lágrimas, de sorriso, de segurança, de paz e de incómodo e desconforto. Para além disso, encontram as luzes apagadas como no primeiro redescobrimento, os primeiros pés curiosos, as primeiras observações e experiências em tom desafiante, com a gravata do traje a fazer os seus estragos. As primeiras variações, depois da primeira intragável função afim, previsível nas suas valências. À janela aberta sobre a luz de madrugada, recorta-se o caminho daquele infinito e tocante beijo que sobrevoou estradas agora percorridas  com outros objectivos, assim como pela porta envidraçada que deixava passar o pequeno pirilampo que mostrava quem estava lá. Depois dela fechada restava e ficava docemente a sensação de que tudo estava "no seu sitio certo", na hora certa, no local certo. Ficava o quente, que se alastrava pelos confins daquelas realidades que só vividas se explicam, por não suportarem palavras sequer. Mais do que o quente, ficava a crença de que o quente era de algum modo, idealizado e produzido para alguéns. Contudo, todas as crenças, por muito reais que aparentem ser, têm uma margem de inutilidade superior à dos factos quando expressos em proposições ou em longas sequências textuais ou emocionais. A inutilidade da crença prende-se, como será logicamente depreendível, quando não existe realidade nenhuma que lhe esteja associada, ou seja, quando está coberta de ilusão. Tinha chegado, então, naquele preciso momento em que a mão se afastou, a concretização da inutilidade da crença que me pertencia, pois, por incrível que pareça, era uma crença que estava somente no meu repertório de crenças. Perguntas? Essas ficam por cá, esperando inutilmente (já não há propriamente uma crença associada a isto) por uma resposta que estupidamente não chegará. Basta saber, também, por que isso acontece.

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