Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Fontes de Calor e Congeladores

O frio que sobe dos pés à cabeça, que te coloca num estado petrificado, sente-se em cada passo, em cada lágrima, em cada passagem mais calorosa. Não ousa apagar-te memórias, nem fazer-te sentir melhor, mas sim, tenta, que nos momentos em que a fonte calorífica não se encontra presente, que te mantenhas a uma temperatura gélida. A analogia do saco térmica soa a perfeita. Serve exactamente para preservar uma temperatura fria, com o intuito de que te aqueças devagar; porém, desta vez, num seguimento positivo - meio que egoísta - de deixar que o mundo de outrora perca o seu sentido. Há o distanciamento, há a desesperança, há a imensidão frequente de uma solidão estranha e de uma saudade que crepita lentamente aos teus ouvidos, na tua pele (arde...). Esta último serve, portanto, de fonte calorífica. É através dela que começas a recuperar a sensibilidade nos dedos dos pés e assim sucessivamente, porque é ela a única que, a partir dum determinado momento, te faz sentir. Existe um ponto chave neste processo que é a separação da figura das memórias que trazem dor, ou seja, uma espécie de desassociação que te permite sentires feliz com o que já aconteceu, mas não lembrando em que condições se sucedeu. Os processos gostam de se assemelhar uns com os outros, é como se houvesse uma tendência para se aproximar tudo da média e, por muito que te queiras separar dela, existem uns quantos que forçam esse movimento rígido, que não pára.
No entanto, como os habituais sacos térmicos, se ocorrer que uma fonte externa - ainda que pontual - de calor muito forte se aproximar perigosamente dos seus limites, observamos um descongelar, um aquecimento extremo e repentino impossível de esquecer ou de ignorar, que faz com que a sequência de arrefecimento, depois disso, se tenha que realizar novamente.


(Fica, no fim, a sensação, se nada for feito, de mais uma vez o mundo gostar de se repetir. Das pessoas se gostarem de repetir umas às outras, por muito que teoricamente se pensem longe delas. Espero que uma dreamland desça à terra e faça com que as coisas tenham um sentido distinto. Ai tears, tears, des larmes ...)


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