Todo o sonho se decompõe,
lentamente...numa viragem determinante dum círculo inspector de realidade. Conduz os passos num direcção.
Traduz em medos a sensação de imaginário oculto, num ímpeto motivacional que faz com que se perca o rumo.
Toda a magia se perde,
rapidamente, numa longa e pouco sincera transformação, que se acautela petrificada escondida em montanhas mentais de quem não sabe arriscar...
Ouvem-se as últimas fechaduras, os últimos guizos, o suspiro de quem se conhece e de quem, na solidão, se conhece.
Toda a mensagem mental se corrompe em pensamentos frenéticos, que não querem parar de virar, de se perder em lugares desconhecidos. As portas abertas, fecham-se, ficam, permanecem; a mão ousa fechá-la, abri-la, simplificá-la...E, se até ali o espírito continuava adormecido...
...Agora, agora encontra finalmente razões para acordar e para se lembrar dum mundo que quis fechar, por ser mais seguro...Mas custa, custa que ao mínimo raio de luz que alegre o dia, tudo, de uma vez só se queira fechar e tornar o lar, o carro, os espaços em locais escuros, densos de pensamentos perdidos em lugares de eterna nostalgia e saudade.
...Agora encontrou razões para restaurar a confiança no primaveril som da vida, do acontecimento, do evento facilitador e sonhador de quem finalmente se instala no mundo do cor-de-rosa.
*
às cores modernas e estilos ferozes e sedentos de pelo menos uma vez se acharem bem, associa-se a entropia fatal, como se a dança do fado fosse mais forte do que tudo, mais forte do que a força das pessoas e dos movimentos e expressões faciais carregadas de mensagem sinceras de verdade.
às cores modernas do Sol primaveril, misturam-se, dissolvem-se gotas de veneno que interrogam quem não quer interrogar ...
às cores modernas do silêncio e do barulho, crescem as ondas inseguras de quem sabe que a vida, mais uma vez se vai silenciar e parar de dar água fresca.
Terminam por ordem decrescente os símbolos da importância de quem ousou duplamente viver: as maiores partilhas traídas por pequenas amostras de pessoalismo. traídos por inaptos corrompidos pelo tacto destruído ou simplesmente inexistente.
E corrobora-se o medo inicial de abrir a janela exploradora da nova realidade. Como se houvesse um sabor escondido pronto a tornar intragável o prato agradavelmente encorajador de se continuar a perpetuar a vivência plena.
Fica o medo, fica mais uma vez a sabedoria de quem sabe. Do sozinho sabedor que aprendeu que talvez um dia poderia não ter o atributo atrás. Como se houvesse algo a coagir de modo a que se pare a meio do processo de dever-ser.
E vai doendo cada vez mais...e vai-se confiando cada vez menos...
Por isso,
Todo o sonho se decompõe,
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