Efectivamente, enquanto estava a ler os relativistas e as cenas Kantianas estava a lembrar-me como as pessoas se podem encaixar nas diferentes perspectivas. Apesar de não reflectirmos sobre isso - eu pelo menos nunca pensei nisso - cada um de nós tem uma visão sobre a realidade e as nossas faculdades mentais em tentar assimilá-la distinta, embora se possa verificar a sua origem. Como tal, o acreditar numa Verdade, uma Verdade essa alcançável só por alguns introduz-nos aqui uma vertente de pala de cavalo, pois enquadrando-se neste, temos uma das duas opções : ou se julga que é dono dessa Verdade; ou se julga como um seguidor de alguém que tem essa Verdade, tentando aplicar os preceitos daquilo que acredita ser essa Verdade. Não se trata, portanto, duma Verdade transsubjectiva, com carácter superior, e grandiosa, mas sim dum conjunto de crenças e ideias - das mais insignificantes às mais importantes - embebidas numa piscina de veracidade e irrefutabilidade e que são tudo o que se deve aplicar.
As pessoas deste género conhecem-se pois reconhece-se facilmente que além daquelas ideias e crenças não há mais nada, senão um conjunto vazio de ausência de Empatia.
A Empatia, como tal, mais do que um conceito Psicológico, aplicado à questão terapêutica, em que o psicólogo terá que saber colocar-se no lugar da pessoa que ouve, trata-se de algo que implica sair do conjunto de crenças e ideias próprias e saber-se colocar no papel do outro. Mais do que uma característica dos psicólogos, é uma característica Humana em potência ou, no bom cenário, presente em cada um. Torna-se difícil, assim sendo, que quem vive coberto na crença da Verdade absoluta, consiga ser empático com pessoas que vivem fora da piscina perene e Verdadeira, pois, no que concerne a piscinas, a própria é melhor que a do vizinho e, principalmente, melhor que a Pública. A Pública é portanto o paradigma da multiplicidade de Verdades Absolutas que podem existir em tantas mentes (mas claro, só se as pessoas de lá se inserirem na categoria de Seguidores da Verdade) e com as quais o Verdadeiro Absoluto terá sérios problemas ao tentar colocar-se no seu lugar. Com isto, é concluído que poderá surgir alguma limitação no que concerne a esta problemática. Aquilo que ando a verificar é que esta limitação - não esquecer o carácter Humano que a Empatia tem* - é mais comum do que se deveria supor, o que, de facto, não é nada bom.
*A empatia é uma característica que distingue os humanos dos outros seres vivos. Somos os únicos seres vivos que conseguem "colocar-se na mente" do outro do modo como o fazemos...tão completo...e tão informativo...Não é uma característica única do psicólogo. :) Os psicólogos usam-na de forma mais eficaz porque a eles está associado um conjunto de idiossincrasias e aprendizagens que lhes permite fazê-lo desse modo.
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